Entrevista: Barro se apresenta em comemoração do primeiro ano de Miocárdio

Barro é conhecido na cena musical do Recife (PE) e, desde o ano passado, vem conquistando seu espaço pelo Brasil e na Europa. Seu disco solo de estreia, Miocárdio, foi lançado em agosto de 2016 e, depois de passar por uma série de apresentações em São Paulo e no Rio de Janeiro, retorna à capital paulista para fechar com chave de ouro as comemorações do primeiro ano do álbum, no Auditório Ibirapuera – Oscar Niemeyer, dia 23, a partir das 21h. O cantor recifense contou um pouco da experiência nos palcos na carreira solo e do 1º ano de Miocárdio. 

Miocárdio esteve presente em várias listas, como um dos melhores álbuns de 2016 (19º em nossa lista). Depois de um ano, quais foram os frutos colhidos do seu primeiro disco solo?

Cara, tudo muito louco e intenso. Olhando pra trás foi um turbilhão. Não dá pra calcular muito essas coisas.
Você faz o melhor, bota a melhores energias e joga pro mundo. Esse Miocárdio, deu muita coisa boa. Cheguei a palcos e cidades que nunca tinha ido, lugares, conheci pessoas, tanta gente dividindo ele, situações que nem esperava. E ao lado disso estamos construindo uma rede bonita de colaboração em torno do som, desde os músicos que tão comigo (Guilherme Assis e Ricardo Fraga), a Erva Doce que trampa na produção. Mas, o mais impactante disso tudo é consegui criar um elo com tantas pessoas e tão forte através das músicas, entrar na vida delas, no cotidiano, as vezes de famílias, casais. Esse é o lado mágico que compensa todo o rolê na música.

A carreira solo te transformou de alguma forma?

Demais, sempre fui de banda, desde os 14 anos, então sempre esperava as pessoas, a decisão coletiva. Agora, tenho parceiros, mas tem uma certa independência grande. Tem uma responsabilidade grande em torno disso, mas é bem louco saber que numa noite você pode compor uma música e as coisas mudarem, ou de estar viajando e surgir uma nova parceira, um clipe. Foi apenas um ano, que estava no Rio tocando no Festival Mola, fazendo o primeiro show do disco, e tanta água já rolou. Mas, ao mesmo tempo, sinto que sou o mesmo, e é bom saber que as apostas e crenças fizeram sentido, e fazem pra mais pessoas e não estou sozinho nessa.

Como foi a recepção do público durante a turnê “Miocárdio”? 

Muito massa, e ainda está sendo, na real. O público se renova e tem uma abrangência muito grande. Cada pessoa vem de um lugar, um amigo que apresenta o som, um que ouviu na rádio, viu numa lista, numa playlist do Spotify. Tenho sido bem recebido por onde passo, conhecendo novas pessoas que curtem o som, e mil histórias de como isso aconteceu. Mas, tem uma coisa que acho muito impressionante nisso tudo é que cada dia tem uma singularidade. Não existe jogo ganho, e essa é a magia do palco pra mim, ter que fazer a coisa acontecer a cada vez que o show começa. Cada público e contexto tem a sua onda. Mas, sinto também que estou começando uma história também, e tem coisa pra chegar.

O que você pode adiantar sobre a sua apresentação no Auditório Ibirapuera no dia 23?

Vai ser um show especial. Me lembro bem da sensação que tive na primeira vez que entrei no Auditório Ibirapuera. É um lugar impactante pela arquitetura e acústica, e o que representa pra música. Nesse, dia estaremos comemorando 1 ano de Miocárdio, lançando as projeções que foram feitas por William Paiva e inspiradas na identidade visual do disco. E mais algumas outras surpresas.

Quais são seus próximos projetos? Pretende lançar outro álbum em breve?

Então, temos hoje meio que um núcleo de produção com Guilherme e Ricardo que me acompanham. Já começamos a produzir coisas novas, mas na calma, sentindo o fluxo. A gente gosta de lapidar a produção e o tempo é um parceiro nesse processo, precisa dar uma maturada. O Miocárdio é novinho, 1 ano. Em novembro vamos pra Bahia fazer 3 shows e quero poder chegar a mais lugares, apresentando nosso show. Em outubro deve sair uma parceira minha com um produtor italiano S-Tone Inc de uma música chamada Vale do Mistério que compus em conjunto e cantei e mostra uma canção que tenha uma emoção forte pra mim. Mas, é isso, pelo momento é rodar com o Miocárdio tentando chegar em novos lugares, e começar a maturar esse disco novo, que já começou, mas ainda não tem data para sair.

Entrevista: nana conta o que está por vir em “CMG-NGM-PDE”

Ananda Lima, conhecida por nana está de volta. Depois dos elogiados Pequenas Margaridas e Berl(im)possível, a cantora e compositora de 26 anos, que atualmente mora em Berlim, está prestas a lançar o CMG-NGM-PDE, seu novo disco. Conversamos com ela sobre suas experiências, da reconexão com o Brasil e do que está por vir com o novo álbum.

 

A primeira vez que ouvimos falar de suas canções, foi através de “Expressionismo Alemão”. De lá pra cá o que mudou sonoramente no seu trabalho?

Acho que o fator principal foi a qualidade técnica; na época de expressionismo alemão era tudo uma grande aventura, quase um hobby. Eu não entendia direito de softwares de gravação, e ia desenvolvendo meu próprio jeito de fazer as coisas, que nem sempre era muito prático, e acho que isso refletia no som também. Minhas limitações técnicas limitavam muito o resultado sonoro final. Hoje me sinto mais confiante pra realizar exatamente o que tenho em mente, e quando não sei como alcançar um determinado som, saio perguntando por aí até descobrir ou peço pra alguém mais experiente me ajudar.

 

Você sempre se preocupou com a estética visual dos seus trabalhos, apresentando capas e videoclipes lindíssimos. Pra você o quanto isto é importante na construção de um disco?

(obrigada!)
Eu acredito que todas as coisas estão interligadas. Pra mim, é fundamental fazer com as próprias mãos, eu tenho essa coisa com o papel, com criar o objeto. As capas dos discos e meu site foram feitos assim, com tesoura, fita adesiva, luz.
Às vezes dá muito trabalho, mas tenho aprendido muito fazendo. Para os clipes, saio distribuindo mais o trabalho com outras pessoas que admiro. É maravilhoso abrir mão do controle da coisa toda e deixar outras pessoas contribuírem com suas perspectivas, acrescenta muito ao trabalho. Fico feliz de poder confiar em tantos artistas excepcionais.

 

Trazer elementos da música brasileira para suas canções, também é uma forma de se reconectar com o Brasil?

Com certeza. Ser imigrante te deixa totalmente sem referência. Ao mesmo tempo que você se sente afastado de sua cultura, é como se tudo ficasse mais aflorado. Até mesmo as coisas banais que não te diziam muito antes parecem lhe lembrar o tempo todo de quem você é, de onde vem. Acho que foi natural as canções saírem como saíram; era um álbum que eu precisava fazer naquele momento.

 

O novo disco chama-se “CMG-NGM-PDE”. O que o título tem a dizer sobre o álbum?

O título é um resumo de todo o conceito por trás das músicas. Quer planta mais presente que a comigo-ninguém-pode? Você anda pelo centro de qualquer grande cidade do Brasil e praticamente tem uma a cada porta. Parece banal, mas é todo um universo, uma simbologia. É uma planta venenosa, é um amuleto, é um ornamento. São várias atribuições complexas, mas que se resume a uma vida. Poderia continuar por horas, mas prefiro que cada um traga suas interpretações depois que ouvir o disco.

 

Em trabalhos anteriores, você sempre compôs e produziu tudo sozinha. Este disco conta com participações de Lulina e Felipe S (Mombojó), além de Habacuque Lima e o Diogo Strausz na produção. Como foi trabalhar em parceria com esses artistas?

Foi maravilhoso! Tenho muita sorte de ter conhecido pessoas incríveis que me inspiram a trabalhar e a fazer música junto. Não tem comparação, produzir tudo sozinha é um pouco alienante pra mim. Eu sinto que produzo muito melhor em grupo, compartilhando. O Haba foi um super parceiro, tomou decisões importantíssimas no disco que eu não teria feito sozinha. Com a Lulina e o Felipe S. foi muito especial, sou fã faz muito tempo e dei meu melhor para que as músicas ficassem do jeitinho certo pra eles. A mesma coisa com a mixagem do Diogo Strausz. Às vezes nem acredito que consegui trabalhar com tantas pessoas que admiro num mesmo disco.

 

Como vai ser a divulgação do CMG-NGM-PDE daqui em diante? Já tem turnê em mente?

O lançamento é daqui a pouquinho, dia 22 de setembro; Estamos tentando fechar um pequeno lançamento aqui em Berlim, mas foi uma ideia bem espontânea, não é muito tempo pra planejar ainda. Quanto ao Brasil, por enquanto não tenha dados e locais definidos, mas estou planejando uma vez do lançamento durante o verão. Mas todos os convites pra tocar são bem-vindos; mal posso esperar pra levar o CMG-NGM-PDE pros palcos.

 

Enquanto o CMG-NGM-PDE não chega, você pode conferir os dois singles da nana em nossa playlist O Que Há de Novo? no Spotify!

 

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Descubra: Victor Cavalcanti

Gravando demos desde 2011, Victor lançou a mixtape (Des)controlar unindo todos os estudos de produção que fez. Com influências do indie e do pop, o cantor e compositor Victor Cavalcanti, usa a música para enfrentar seu próprio caos. Como processo de cura de uma depressão, ele lança Caos, um projeto musical, poético, audiovisual e fotográfico, que fala sobre esse momento com franqueza e criatividade.

“No processo desse projeto, eu vi que fazer música apenas não me preenche como artista, e decidi que a música seria apenas uma parte, e que iria fundo em todos os cantos desse projeto. Tudo iniciou com uma história, que seria de um rei que perde sua coroa por confiar em um bobo da corte. Quando comecei a compor as músicas, vi que faltariam algumas coisas para a história desse rei se fazer entendida, foi onde nasceu a ideia de criar poemas. No livro digital, disponível no meu site e no iTunes, os poemas ficam em uma sequência que conta a história junto das músicas”, conta Victor.

Maglore se reinventa em “Todas as Bandeiras”

Maglore com nova formação desde o começo do ano, está de volta com os integrantes Teago Oliveira (vocal e guitarra), Lelo Brandão (guitarra), Lucas Oliveira (baixo) e Felipe Dieder (bateria). O quarto álbum do grupo, intitulado Todas as Bandeiras, foi produzido por Rafael Ramos e Leonardo Marques e distribuído pela Deckdisk. O projeto gráfico foi criado por Azevedo Lobo e conta também com a mixagem de Otávio Carvalho, realizada no estúdio Submarino Fantástico e a masterização de Felipe Tichauer, no Redtraxx Music, na Flórida. Com 10 faixas, o registro apresenta uma evolução sonora da banda, trazendo elementos mais populares, com fortes influências do rock psicodélico e da música popular brasileira dos anos 1970 e 1980. Além disso, o disco se mostra mais visceral e político do que seus antecessores: Veroz (2011), Vamos Pra Rua (2013) e III (2015).

O primeiro single, Aquela Força, escrito por Teago em parceria com Luiz Gabriel Lopes da banda Graveola, é o responsável por iniciar os trabalhos do novo álbum. Trazendo os elementos da música setentista brasileira, o vocalista entoa os versos “Conservar a força que faça crer que o futuro será nosso amigo”, para afirmar a proposta de otimismo da canção que é reforçada através da sonoridade energética.

Em Todas as Bandeiras, a banda retrata os problemas da civilização atual em diferentes abordagens, mas todas em uma atmosfera solar. Na faixa-título, por exemplo, os versos “Quando nós nascemos fomos embalados/ E os mal fabricados, vamos descartar”, faz uma profunda reflexão, cercada por um certo tom de esperança. Além disso, a sonoridade “praiana” se faz presente, como na faixas Clonazepam 2mg, que tem todos os elementos para fazer parte de alguma trilha de verão e, claro, todo o potencial para se tornar um clássico do rock brasileiro. A canção Me Deixa Legal, traz também essa referência, e remete ao que a banda já produziu em álbuns anteriores.

A brasilidade de Maglore é evidente, principalmente na canção Jogue Tudo Fora, que junto com a Hoje Vou Sair, fala sobre liberdade e a necessidade de se reconectar consigo mesmo.

Mesmo em canções mais tristes como Quando Chove no Varal e eu Consegui, a banda mantém a energia da obra. Concluindo, Todas as Bandeiras, é uma obra coesa e mostra o quanto o grupo está empenhado em se renovar a cada trabalho.

 

maglore-todas-as-bandeiras-capa-696x696Todas as Bandeiras
Maglore
Produção: Rafael Ramos e Leonardo Marques
Gravadora: Deckdisc
Pra Quem Gosta de: Pop Rock
Avaliação: 4,6/5

República Popular antecipa álbum sobre Manaus contemporânea com “Curió”

Um amor que sobrevive à morte é o tema que guia Curió, da banda manauara República Popular. Ela é uma das três músicas do single de mesmo nome lançado nas plataformas de música digital. De cara, a sonoridade aparece bem diferente e antecipa o que virá no próximo álbum da banda: uma reflexão sobre a cultura e o legado amazônico sob um ponto de vista contemporâneo e urbano.

“Ficamos muito felizes com a obra final e o sentimento foi indescritível ao assistirmos pela primeira vez. Curió já é algo marcante para nós e esperamos que muitos outros compartilhem desse sentimento com a gente”, conta Sérgio Leônidas, vocalista e baixista.

11 discos lançados em agosto que você deveria ouvir

1. Abud – Vida Noturna

a3318252309_10.jpgTerceiro trabalho do produtor Walter Abud a sair pelo selo Beatwise Recordings, Vida Nocturna traz beats e synths inspirados em canções dos anos 1980, sons muito presentes em seus sets como DJ. Com um estética retrowave, o disco nos transporta para uma viagem noturna em um carro sintonizado na Alpha FM. Segundo Abud, as cidades que o inspirou na construção do disco foram São Paulo e Buenos Aires, cidades em que divide seu tempo.  O projeto gráfico, ajuda na construção da atmosfera do disco e foi produzido por Naño Ramirez e Carlitos Wake.

Melhor Faixa: Caça Fantasmas
Pra Quem Gosta De: Eletrônica, Synthwave 

 

2. Apanhador Só – Meio Que Tudo é Um

0aa4339c20d0851d9d6c4059d8063ada.960x960x1.jpgA junção do experimentalismo com a música popular brasileira é o ponto central do terceiro disco da banda. Em Meio Que Tudo É Um, o ritmo despretensioso segue o tom melódico que é afirmado novamente nas composições do grupo gaúcho. Com contraposições e excessos propositais, o novo trabalho soa mais indigesto que o antecessor Antes Que Tu Conte Outra, lançado em 2013. O disco foi gravado de forma independente através de um financiamento coletivo e contou com a produção da própria banda em parceria com Diego Poloni. 

Melhor Faixa: O Creme e o Crime
Pra Quem Gosta De: Rock, Experimental

 

3. Bonifrate – Lady Remédios

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O registro curto com um pouco mais de 17 minutos, do ex-Supercordas, Pedro Bonifrate, apresenta um disco conceitual onde as 5 faixas que o compõe, trazem diferentes perspectivas sobre a cidade onde o músico cresceu e voltou a morar, a vila de Nossa Senhora dos Remédios de Paraty no Rio de Janeiro. Em Lady Remédio, Bonifrate, mescla ritmos folclóricos com elementos da música contemporânea, resultando em um folk psicodélico. As composições, muitas vezes melancólicas, afirma a atmosfera a proposta no registro.

Melhor Faixa: Lei de Remédios
Pra Quem Gosta De: Folk, Psicodelia

 

4. Chico Buarque – Caravanas

e094df42-4136-4338-be17-5cd15868b604_chicobuarquecaravanascapaalbumSete das nove faixas que compõe o vigésimo terceiro disco intitulado Caravanas do cantor Chico Buarque são inéditas (as outras duas foram escritas pelo músico, mas gravadas por outros artistas), e abordam diversos temas como racismo, lesbianidade e até sobre Havana, capital de Cuba. Com a participação de Rafael Mike (Dream Team do Passinho), Chico Buarque traz um frescor para sua obra, mostrando que pode se reinventar, apesar de trazer a sua visão lírica e poética de sempre, para as novas canções. Além de Mike, Clara Buarque e Chico Brown fazem parte do disco.

Melhor Faixa: Blues Para Bia
Pra Quem Gosta De: MPB

 

5. Far From Alaska – Unlikely

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O tão aguardado segundo disco da banda Far From Alaska, se mostra mais despretensioso do que seu antecessor modeHuman, lançado em 2014. A ideia era criar canções que fossem fáceis de cantar em shows. Além disso, todas as faixas levam no título o nome de um animal, conceito afirmado no projeto gráfico. Com 12 faixas, Unlikely foi gravado em Ashland nos Estados Unidos, graças a um financiamento coletivo e contou com a produção de Sylvia Massy, que já produziu grandes bandas como System Of A Down, Johnny Cash Red Hot Chilli Peppers.

Melhor Faixa: Elephant
Pra Quem Gosta De: Rock

 

6. Guilherme Arantes – Flores & Cores

500x500bb31.jpgAproveitando o embalo do aclamado Condição Humana, lançado em 2013, Guilherme Arantes apresenta seu vigésimo sétimo álbum (vigésimo primeiro de inéditas), intitulado Flores & Cores. Com capa ilustrada por Gil Tokio e projeto gráfico de Ana Turra, no novo trabalho com doze faixas autorais, é apresentado canções sobre amor, com sonoridades ensolaradas e alegres, trazendo uma pegada do pop brasileiro flertando também com o rock progressivo e a música romântica, conceito que o próprio músico produzia nos anos 1980.

Melhor Faixa: A Simplicidade é Feliz
Pra Quem Gosta De: MPB, Pop Rock

 

7. Mari Romano – Romance Modelo

img-1045391-mari-romano.jpgRomance Modelo, é o primeiro álbum de Mari Romano, que apesar de ser estreante na carreira solo, tem grande participação na cena independente carioca. Mari é artista plástica e integrante do supergrupo feminista Xanaxou (projeto que conta também com Bel Baroni) e do Mãeana, além de ter produzido outros artistas. O disco tem fortes influências da música brasileira setentista, flertando também com diversos gêneros musicais, como o samba e ritmos latinos. Além disso, o trabalho lançado pelo selo RISCO, apresenta composições um tanto lúdicas em alguns momentos.

Melhor Faixa: Suquinho de Suor
Pra Quem Gosta De: Pop Rock

 

8. Os Paralamas do Sucesso – Sinais do Sim

GRJWAmT02KwBNw7JQTeA_capa-OS-PARALAMAS-DO-SUCESSO.jpgOito anos, é o tempo que separa o último disco de inéditas da banda Os Paralamas do Sucesso, do novo disco intitulado Sinais do Sim. Produzido por Mário Caldato Jr. (Marisa Monte, Nação Zumbi, Beck e Bestie Boys), o disco é provavelmente um dos trabalhos mais roqueiros da discografia do grupo. Além de canções românticas, o álbum retrata em suas 11 faixas questões políticas e a situação atual do país, tema delicado, mas abordado com muito otimismo. Apesar da obra não ser inovadora, o disco se sai bem mantendo-se fiel a sonoridade característica da banda.

Melhor Faixa: Medo do Medo
Pra Quem Gosta De: Pop Rock, Rock

 

9. Paulo Miklos – A Gente Mora no Agora

paulomiklosagora.jpgO terceiro disco solo do músico Paulo Miklos intitulado A Gente Mora no Agora, traz mensagens otimistas para os momentos difíceis. Com 13 faixas o trabalho do ex-Titãs, foi produzido por Mário Caldato Jr. e conta também com participações de artistas veteranos e alguns novatos nas composições como Emicida, Céu, Silva, Mallu Magalhães,  Guilherme Arantes, Erasmo Carlos e Nando Reis. O disco mostra um novo caminho para a música de Miklos, que retrata em suas canções diversos temas de forma leve e totalmente honesta.

Melhor Faixa: Vou Te Encontrar
Pra Quem Gosta De: Pop Rock, MPB

 

10. Pavilhão 9 – Antes Durante Depois

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Pavilhão 9 está de volta com o álbum Antes Durante Depois, depois de 11 anos em hiato. Com o projeto gráfico assinado por Leandro Dexter, o novo álbum conta com 10 faixas e aborda a realidade das periferias, da situação política atual do Brasil e até sobre a crise imigratória. No sétimo disco, a banda mantém a sonoridade que se define na fusão do hardcore com o hip-hop, conceito que a fez conhecida na década de 90 e que inspirou diversas bandas nacionais. Com faixas curtas, o álbum tem quase 30 minutos de duração, fazendo com que a mensagem discorra facilmente.

Melhor Faixa: Tudo Por Dinheiro
Pra Quem Gosta De: Hardcore, Hip-Hop

 

11. Tribalistas – Tribalistas 

58510-CAPA_TRIBA_APROVADA_20ok.jpgDepois de 15 anos da estreia do projeto, o grupo formado por três grandes nomes da música popular brasileira, Marisa Monte, Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown está de volta. O novo registro com 10 faixas dos Tribalistas, soa como uma continuação do primeiro e homônimo disco, lançado em 2002. O álbum não traz nada inovador, apesar das poucas mudanças na abordagem, principalmente nas composições, que se tornaram mais densas e políticas. Contudo, o álbum é perfeito para quem esperou por tanto tempo um novo trabalho do trio.

Melhor Faixa: Aliança
Pra Quem Gosta De: MPB

O Outro Lugar de Tetê Espíndola

Tetê Espíndola, está de volta. Depois de três anos em hiato, a cantora sul mato-grossense lança seu décimo-oitavo álbum de inéditas. Outro Lugar, conta com 12 faixas, sendo que a maioria foi composta por Tetê. As outras contaram com os parceiros Arnaldo Black, seu marido, Bené Fonteles, Geraldo Espíndola, Marta Cartunda, Arrigo Barnabé, Luisa Gimenez, Phillipe Kadosh Manoel de Barros, no período de 1973 a 2013. Apesar da grande distância temporal entre elas, as canções soam muito lineares, como se tivessem sido escritas na mesma época e na mesma ordem em que elas foram apresentadas.

O disco tem início com a faixa Andorinha, canção composta por Tetê em 1985, em uma passagem da cantora por Brasília, e prepara o ouvinte do que será apresentado no decorrer da obra: um ser no anseio de se encontrar e encontrando seu lugar. O “outro lugar” que Tetê retrata no disco, não é só representado por elementos geográficos, mas também é a materialização de momentos abstratos. Como a própria artista relatou ao Lado B, “[…] é um lugar dentro da gente, dentro de cada um. Cada um tem que achar o seu lugar, de paz, aquela coisa que te satisfaz. Pode estar no caos de São Paulo ou no meio do Pantanal”.

O álbum que também possui composições mais leves como Lamber Correnteza, escrita em parceria com Bené Fonteles, que traz acordes de violão muito sutis, traz também canções um tanto melódicas como a faixa Onda do Tempo, onde a artista usa elementos do samba para argumentar como o tempo pode ser transformador.

Em um dos momentos lúdicos do álbum, na faixa Itaverá, composta pelo irmão de Tetê, Geraldo Espíndola, o ouvinte é imerso em uma sonoridade que transmite a essência da música sertaneja, o transportando para um sentimento forasteiro. A mesma atmosfera é encontrada na música Aconchego.

As canções foram compostas em diversas cidades como São Paulo, Campo Grande e até Paris, o só reforça o conceito do álbum. Além do êxito na produção, o projeto gráfico do disco também chama a atenção. As fotos do álbum foram feitas por Patrícia Black, filha da cantora e a arte gráfica ficou por conta do designer Uibirá Barelli.

e8f32175494772e46db5b8a810348bab.690x690x1.jpgOutro Lugar
Tetê Espíndola
Produção: Tetê Espíndola, Adriano Magoo e Sandro Moreno
Gravadora: Independente
Pra Quem Gosta De: MPB
Avaliação: 3,9/5