Cantor Siso fala sobre o lançamento do álbum “Saturno Casa 4”

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O cantor, compositor e produtor mineiro David Dines, conhecido como Siso, pisou no palco pela primeira vez aos 10 e mergulhou no circuito independente da capital mineira na adolescência. Em 2014, mudou-se para São Paulo onde começou a estudar outras sonoridades e dança contemporânea. No ano passado lançou Terceiro Molar, um EP com cinco faixas, que levou o cantor a ser considerado um dos 20 artistas mais promissores do cenário musical brasileiro. O MB conversou com o cantor que lança, nesta semana, o seu primeiro álbum cheio intitulado Saturno Casa 4.

 

Como surgiu a ideia de se apresentar como Siso?

Falo muito na minha música sobre identidade, sobre encontrar seu lugar no mundo, sobre lidar com o belo e o brutal das coisas de uma forma honesta, e parte disso tem a ver com as experiências que tive quando me mudei de Belo Horizonte para São Paulo, três anos atrás. Eu já vinha desenvolvendo um trabalho musical solo desde o fim de 2012, mas daquele momento em diante as perspectivas tornaram-se outras. A vida passou a ter uma textura diferente e minha música mudou bastante, o que me fez adotar esse nome como uma forma de romper com o que havia feito antes e chegar a um lugar novo. Tem a ver com a materialidade do dente em si, que é hoje uma coisa vestigial, sem função no corpo humano – e isso se liga com a presunção que muita gente faz de a música pop ser algo “descartável” -, e com o fato de ser um sinal de amadurecimento do corpo que sempre envolve dor, e com o qual quase todo mundo tem que lidar de forma objetiva. Siso é mais um recorte da minha realidade do que uma persona. E hoje também tomo como um apelido.

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Você foi eleito um dos 20 novos artistas brasileiros de destaque no ano de 2017, além de estar presente em várias listas de melhores do ano com o EP Terceiro Molar. Isso te pressionou de alguma forma ao produzir o novo disco? 

Não diria que pressionou, mas foi um fator motivador. Aprendi muita coisa no processo do EP e quis colocar em prática colocando um trabalho maior na rua ainda este ano. As músicas foram surgindo em decorrência de um processo de questionamentos pessoais recentes. A produção foi bem mais rápida do que a do EP. Eu e meus parceiros levamos cinco meses pra realizar todo o Saturno Casa 4, o que é menos da metade do tempo que o Terceiro Molar levou pra poder existir.

 

Nos últimos anos, o funk carioca vem mudando a identidade do pop brasileiro. O que você acha sobre essa tendência?

Acho ótima. O funk é um universo muito rico, tanto simbólica quanto musicalmente, e o pop tem muito a aprender com ele. Ele mostra muito do que o Brasil é de verdade – o resultado dos nossos processos culturais, sociais e econômicos. E é sempre importante dar a devida importância àquilo que afirma o valor de quem habita a periferia em meio às opressões todas.

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Você acredita que ainda é difícil fazer música pop no Brasil?

Acho que estamos num processo de avanço e de quebra de resistência, muito em decorrência do que os grandes nomes têm conseguido fazer. As dificuldades ainda existem para os novos artistas no cenário independente, claro, tanto por uma questão estrutural quanto por um preconceito residual que resiste em alguns lugares. Mas acredito que as perspectivas são boas. Há uma comunidade de artistas e produtores dialogando e se fortalecendo, isso é muito legal.

 

Seu álbum chama-se “Saturno Casa 4”. Como você definiria esse novo álbum? O que ele representa para sua carreira neste momento?

O título faz referência a uma posição astrológica que denuncia uma tensão em questões ligadas a família, raízes e tradições. Essas pessoas geralmente vêm de uma história de dificuldade durante o início da vida e se distanciam emocionalmente como uma forma de se defender de um mundo que lhe oferece restrições e cobra responsabilidades. Esse universo rege todo o álbum, também levando em conta o aspecto macro da coisa, com essa nossa crise das instituições e amplos questionamentos estruturais. Espero que o Saturno Casa 4 ajude quem o ouça a lidar melhor consigo mesmo diante do caos, mas sempre questionando os efeitos das próprias atitudes.

 

O que mudou sonoramente no seu trabalho do EP “Terceiro Molar” para o “Saturno Casa 4”?

O que era pop ficou ainda mais pop nesse álbum, e aquilo que representava um lugar de tensão e experimentação também foi levado mais longe. Tem algumas faixas mais dançantes, outras mais pesadas e reflexivas, mas uma constante é a intenção de tirar quem ouve de seu lugar de conforto.

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Como foi contar com as participações de Letrux e Paula Cavalciuk no novo álbum?

Foram encontros muito felizes, que vieram de amizades formadas no meio da música independente. Quando apresentei as músicas e fiz os convites, Letícia Novaes e Paula Calvaciuk toparam de cara, porque tudo ressoava num lugar de verdade compartilhada e também tinha a ver com o trabalho que cada uma desenvolve. A mesma coisa aconteceu quando pedi uma música inédita da Letícia, 198 Centímetros – o resultado é o de uma conexão muito genuína. Fico muito feliz de trabalhar ao lado de artistas tão incríveis e talentosas.

 

Primeiro álbum solo a ser lançado, e como será a divulgação daqui pra frente?

Farei dois shows em São Paulo ainda este ano, um na Associação Cecília (17 de novembro, ao lado da Geo) e outro no Breve (3 de dezembro, ao lado da Alambradas). Devo tocar em Belo Horizonte em janeiro e quero sair por todo lugar cantando o repertório desse disco, que é fruto de muito amor e verdade.

 

Enquanto Saturno Casa 4 não chega, você pode ouvir os singles Saudade e O Amor é 1 Arma de Destruição em Massa, em nossa playlist O Que Tem de Novo? no Spotify! 

 


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