Os 50 Melhores Discos de 2017

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A música brasileira se mostra mais versátil do que nunca. Quebrando as barreiras da previsibilidade, temos no Brasil um grande catálogo de experimentações e fusões. Do Hip-Hop ao Metal, do Funk à MPB, da Música Eletrônica ao Rap, o Brasil continua produzindo músicas de peso, reafirmando a pluralidade do país. Dito isso, um aviso: se você não está ligado o que tem de novo na música nacional, é bom ficar atento.
Na última lista de melhores do ano do MultimodoBR, apresentamos os 50 discos brasileiros lançados em 2017, que em nossa opinião, não podem passar batido por você.

50º Tibério Azul – Líquido

Com 11 faixas, o segundo álbum do cantor e compositor pernambucano Tibério Azul, é o segundo da série de álbuns que o cantor pretende lançar, inspirados nos quatro elementos. O sucessor de Bandarra (2011) tem a água como tema principal e conta com a produção do premiado Yuri Queiroga, além das participações dos músicos NilsinhoLucas Araújo, Vinícius Sarmento, Vitor Araújo, Clarice Falcão e Pedro Luiz. Em um registro leve com composições e arranjos mais robustos, o álbum aborda a profundidade dos sentimentos.

49º Jonathan Tadeu – Filho do Meio

Com 8 faixas produzidas por Jonathan Tadeu em parceria com João Carvalho (Sentidor), Filho do Meio apresenta uma abordagem diferente, do que foi apresentado nos dois últimos discos do cantor e compositor mineiro. Em seu terceiro trabalho, o artista traz elementos minimalistas, acompanhados por uma sonoridade eletrônica, além de explorar em suas composições problemas sociais, tema que nunca havia abordado em suas canções. Em seus quase 27 minutos, o álbum transporta o ouvinte para uma atmosfera introspectiva.

48º Domenico Lancellotti – Serra dos Órgãos

O cantor, compositor e baterista Domenico Lancellotti, lançou este ano o segundo álbum solo, intitulado Serra dos Órgãos. O registro com 14 faixas, é o primeiro trabalho inédito do músico fluminense em seis anos. Se distanciando da sonoridade apresentada em Cine Privê (2011), o disco traz canções mais serenas, carregando também um tom experimental. O álbum é praticamente autoral, e conta também com participações de Marlon Sette, Bruno Di Lullo e Stéphane San Juan, que trouxeram uma contemporaneidade para o trabalho.

47º Matheus Fleming – O Estado das Coisas

O Estado das Coisas é o álbum de estreia do músico Matheus Fleming. O disco do ex-integrante da banda Câmera, surgiu de modo totalmente autoral: foi composto, gravado, mixado e masterizado pelo artista. Com experimentações com a guitarra, que remetem ao post-rock, o disco com 8 faixas, transmite ao ouvinte diversas experiências e sentimentos, em uma obra introspectiva e minimalista. Com uma sonoridade desacelerada e despretensiosa, Matheus Fleming traz também um contraponto ao título, que remete a uma atualidade conectada.

46º Figueroas – Swing Veneno

Figueiroas, duo alagoano formado pelos músicos Givly Simons e Dinho Zampier, lançou este ano o sucessor do aclamado Lambada Quente, (2015). Swing Veneno é composto por 10 faixas, sendo nove delas, escritas por Simons e Zampier com os parceiros, Fábio Monzine e Rafa Moraes, além de uma versão da canção Não Há Dinheiro que Pague de Roberto Carlos. O segundo trabalho da dupla, explora ritmos da Região Norte, como a lambada, carimbó e o brega, trazendo a atmosfera dançante e irreverente, elementos marcantes do grupo.

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45º A Banda Mais Bonita da Cidade – De Cima do Mundo Eu Vi o Tempo

Um dos nomes mais influentes na cena independente brasileira, A Banda Mais Bonita da Cidade, lançou em 2017, o terceiro álbum do grupo. Com 9 faixas De Cima do Mundo Eu Vi o Tempo, foi gravado e produzido em uma fazenda na cidade de Arapongas, com os parceiros Thiago Ramalho, Ian Ramil, Alexandre França e Tibério Azul. Além disso, os arranjos contaram com as participações dos músicos Felipe Ayres, Lorenzo Flach e Felipe Ventura. O disco, em suas diferentes abordagens, gira em torno de um só tema: o tempo em nosso cotidiano caótico.

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44º Far From Alaska – Unlikely

O tão aguardado segundo disco da banda Far From Alaska, se mostra mais despretensioso do que seu antecessor modeHuman, lançado em 2014. A ideia era criar canções que fossem fáceis de cantar em shows. Além disso, todas as faixas levam no título o nome de um animal, conceito afirmado no projeto gráfico. Com 12 faixas, Unlikely foi gravado em Ashland nos Estados Unidos, graças a um financiamento coletivo e contou com a produção de Sylvia Massy, que já produziu grandes bandas como System Of A Down, Johnny Cash Red Hot Chilli Peppers.

43º Posada – Isabel

Isabel é o primeiro álbum solo do cantor e compositor Carlos Posada, que conta com as participações especiais de Duda Brack e Chico Chico. O disco com 10 faixas, foi gravado, mixado e masterizado no segundo semestre de 2016 e conta também com versões das canções gravadas por Brack e Lenine, porém escritas por ele. Apesar de encontrarmos outros elementos e instrumentos na sonoridade do disco, as composições de criação livre são valorizadas, sendo majoritariamente acompanhadas por arranjos de violão e a voz marcante do cantor.

42º Abud – Vida Nocturna

Terceiro trabalho do produtor Walter Abud a sair pelo selo Beatwise Recordings, Vida Nocturna traz beats e synths inspirados em canções dos anos 1980, sons muito presentes em seus sets como DJ. Com um estética synthwave, o disco nos transporta para uma viagem noturna em um carro sintonizado em alguma rádio retrô. Segundo Abud, as cidades que o inspirou na construção do disco foram São Paulo e Buenos Aires, cidades em que divide seu tempo.  O projeto gráfico, ajuda na construção da atmosfera do disco e foi produzido por Naño Ramirez e Carlitos Wake.

41º Futuro do Pretérito – Garotas Suecas

Em uma nova fase, a banda paulistana Garotas Suecas, apresenta seu terceiro disco intitulado Futuro do Pretérito. Com a saída do vocalista Guilherme Saldanha, o grupo agora segue como um quarteto, onde todos os integrantes cantam, compõem e tocam. Com 12 composições inéditas, o álbum se mostra uma obra atual e engajada ao abordar questões políticas e sociais de forma muito madura e pontual. Além disso, o registro  também conta histórias sobre relacionamentos e sentimentos, embaladas por uma sonoridade que remete ao rock e o soul setentista.

40º Bárbara Eugênia & Tatá Aeroplano – Vida Ventureira

Parceiros de longa data em diversos projetos, Bárbara Eugênia e Tatá Aeroplano se reúnem para lançar o disco intitulado Vida Ventureira. Com produção e arranjos de Bárbara e Tatá, em parceria com Dustan Galas, Junior Boca e Bruno Buarque, o álbum criado e composto em uma fazenda, serve como uma trilha sonora de um filme, que segue a história de um casal e o caminho percorrido por eles, entre questionamentos, brigas e reconciliações. Com 12 faixas, o disco faz uso em sua sonoridade de elementos da psicodelia, do folk e do lo-fi.

39º Juliana R – Tarefas Intermináveis

Depois de sete anos de hiato, a cantora paulista Juliana R., lança este ano, o seu segundo disco intitulado Tarefas Intermináveis. O trabalho com 8 faixas, conta com a produção, mixagem, masterização de Paulo Beto. Com quase 35 minutos de duração, o álbum foi composto em um gravador de fitas e seus versos são entoados em três idiomas: português, inglês e espanhol, acompanhados pela sonoridade influenciada por diversos ritmos como a música eletrônica, pop, folk e explorando também elementos da música experimental.

38º Pratagy – Búfalo

Búfalo, é o segundo trabalho do paraense Leonardo Pratagy. O sucessor de Pictures (2016), foi produzido pelo próprio cantor com parceria de Diego Fadul e gravado inteiramente em estúdios caseiros. O disco ainda contou com as participações de Bruno Azevedo (baterias e percussões), Rubens Guilhon (guitarras), Daniel Lima (violino), Andro Baudelaire (vocais), Maria Rosa Lima (vocais). No novo trabalho, o cantor flerta com o dream pop, com o uso de sintetizadores, teclados, timbres de guitarra e a voz sutil que torna o disco mais intimista.

37º Momo – Voá

O cantor e compositor Marcelo Frota, mais conhecido por Momo, lançou este ano o primeiro de disco de inéditas após um hiato de 4 anos. O quinto álbum contém 10 faixas, produzidas por Marcelo Camelo, compostas por Momo e conta também com as participações de Thiago Camelo, Wado e Mallu Magalhães nos vocais. O novo trabalho não é um registro extrovertido, entretanto, se distancia da melancolia do disco antecessor, Cadafalso. O álbum do cantor radicado em Lisboa, é distribuído pela Universal Music Lisboa.

36º Sofia Freire – Romã

Em um álbum que passeia por diversas experimentações, a pianista, cantora e compositora pernambucana Sofia Freire, traz referências da música erudita e da eletrônica, aproximando a sonoridade do disco do experimentalismo e da psicodelia. Com 9 faixas, Romã foi produzido pela artista em parceria com Homero Basílio e Chiquinho Moreira, e traz poemas musicados, escritos por outras compositoras e que falam do universo feminino, da busca do autoconhecimento e de se desprender das pressões sociais.

35º Otto – Ottomatopéia

O cantor e compositor pernambucano Otto, lança o álbum intitulado Ottomatopeia, depois de cinco anos de hiato. O sucessor de The Moon 1111 contou com a produção de Pupillo (Nação Zumbi) e com participações especiais de  Céu, Roberta Miranda, Zé Renato e Andreas Kisser. Em um álbum com sonoridade mais otimista, o cantor traz em suas composições, o amor como tema central, entoadas de forma original e visceral. Além disso, canções sobre a atual situação do Brasil, também estão presentes no novo trabalho.

34º Cícero – Cícero & Albatroz

Após três álbuns produzidos de forma caseira, o cantor e compositor Cícero lançou este ano, o seu quarto disco. Em arranjos e composições com um tom menos instrospectivo, o cantor conta com uma maior participação da banda que o acompanha, agora chamada de Albatroz e formada por Bruno Schulz, Gabriel Ventura, Uirá Bueno, Felipe Ventura, Pedro Carneiro, Matheus Moraes e Vitor Tosta. Com 10 faixas, Cícero & Albatroz, aparenta ter uma proposta mais firme que os discos anteriores, trazendo a vida urbana rotineira e conturbada em pauta.

33º Nina Becker – Acrílico

Com produção da própria cantora em parceria de Duda Mello, o disco foi gravado ao vivo, com criações espontâneas nos arranjos durante o processo. Com uma sonoridade que revisita a cultura cinquentista brasileira, Nina Becker contrasta as referências do samba, jazz e do tropicalismo com composições que abordam o contemporaneidade. Com um trabalho quase inteiramente autoral, Acrílico se mostra um disco coeso em seu conceito, trazendo canções que despertam a nostalgia e que remetem à estética do modernismo.

32º Flora Matos – Eletrocardiograma

Um dos principais nomes do hip-hop brasileiro, a rapper e produtora Flora Matos, lança o álbum intitulado Eletrocardiograma, depois de sete anos da mixtape Flora Matos vs. Stereodubs. Com 12 faixas, o trabalho produzido pela artista brasiliense em parceria com Iuri Rio Branco e CESRV, traz o reflexo de uma artista mais madura, com canções que abordam diversas questões como os relacionamentos e paixões, além de suas experiências até hoje, acompanhadas por ritmos de R&B, Trap e Soul, que trazem uma certa leveza à obra.

31º Don L – Roteiro Para Aïnouz, Vol. 3

Com 9 faixas, Roteiro pra Aïnouz Vol. 3 é o segundo registro solo de Don L, que foi produzido pelo próprio rapper em parceria com Deryck Cabrera. O disco é o primeiro registro de uma trilogia que será lançada em modo reverso, que tem como referência o cineasta Karim Aïnouz. Em seu novo trabalho, Don L apresenta rimas retratando seu inconformismo com a atual efemeridade da música brasileira e até mesmo com os problemas sociopolíticos do país. Além disso, questões como fé, sexo e imigração entram também na pauta do rapper.

30º Nevilton – Adiante

Depois de 4 anos em hiato, o músico Nevilton de Alencar, está de volta. Com 13 faixas, o terceiro álbum de inéditas intitulado Adiante, foi produzido, arranjado, gravado e mixado artesanalmente pelo próprio Nevilton e masterizado por André Castro, além das participações de diversos músicos como Marconi de Morais, Jajá Cardoso, Thadeu Meneghini e Esdras Nogueira. Com composições simples e solares, o novo disco se mostra versátil, transmitindo uma mensagem de liberdade, ambientando o ouvinte a um lugar de otimismo.

29º Rodrigo Campos + Juçara Marçal & Gui Amabis – Sambas do Absurdo

O disco do trio, tem como inspiração, O Mito de Sísifo, de Albert Camus, autor que acredita que a única questão filosófica que importa é o suicídio, e quando encontramos a falta de sentido da vida, temos duas opções: a morte ou aprender a viver uma vida absurda. Com 8 faixas compostas por Rodrigo Campos e Nuno Ramos e produzidas por Gui Amabis, o projeto traz a desconstrução do samba. Além disso, a visceralidade de Juçara Marçal e as experimentações sonoras como ruídos, batidas e samples, ambienta a obra de forma abstrata, obscura e reflexiva.

28º Ayrton Montarroyos – Ayrton Montarroyos

O cantor recifense Ayrton Montarroyos, conhecido nacionalmente por participar do The Voice Brasil em 2015, lança o disco homônimo de estreia, que tem como repertório, canções de grandes nomes como Caetano Veloso, Zeca Pagodinho, Lula Queiroga e Zé Manoel. Apesar de trazer músicas anteriormente gravadas por outros artistas, o disco que tem a produção de Thiago Marques, possui uma sonoridade original, acompanhada pela leveza e elegância da voz de Ayrton, uma das grandes revelações da música brasileira.

27º Vanguart – Beijo Estranho

Com nova formação Vanguart, lança um álbum depois de quatro anos em hiato. Com uma estética que equilibra as abordagens de seus últimos três álbuns, o novo trabalho traz canções enérgicas e outras mais introspectivas. Com 11 faixas, Beijo Estranho, contou com a produção de Rafael Ramos, e traz a essência da banda sul-matogrossense, ainda que levemente influenciado pelo pop, acompanhada por composições que falam de amor e também de questões existenciais, trazendo um registro carregado de maturidade e versatilidade.

26º Castello Branco – Sintoma

Em seu novo trabalho, o cantor Castello Branco, segue a estética sonora do álbum anterior Serviço, fazendo com que as faixas seguem em uma continuidade. Apesar disso, Sintoma parece ter uma abordagem diferente do que seu antecessor. Enquanto o álbum lançado em 2014 retratava histórias relacionadas ao coletivo, o segundo disco é uma visão mais introspectiva do mundo. O cantor aborda diversos temas, como a discussão de gêneros, além de canções que falam de sentimento, mostrando a versatilidade do novo disco.

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25º Mawu – Chamamento

O projeto liderado pelo multi-instrumentista e produtor Eduardo Camargo e o sambista da Vai Vai, Kike Toledo, traz no primeiro disco, 11 faixas que passeiam por diversos ritmos tradicionais brasileiros influenciados pela musicalidade africana, além de explorar também o samba e o jazz, fundidos em elementos da música eletrônica e toques de experimentalismo. Chamamento é um registro versátil, que percorre pela música popular brasileira de forma contemporânea, tendo a guitarra e ilús como instrumentos marcantes em sua sonoridade.

24º Kalouv – Elã

O grupo instrumental pernambucano Kalouv, lançou este ano o terceiro disco. Convivendo quase diariamente por quatro meses, os integrantes da banda, começaram a explorar novos ritmos e incorporar ao novo trabalho. Enquanto os álbuns anteriores do grupo traziam composições sóbrias e muitas vezes introspectivas, em Elã as faixas são mais diretas, onde são exploradas sonoridades diferentes, com uma leve inspiração da música pop, guiadas por sintetizadores e riffs de guitarra, além da interação com o piano, baixo e bateria.

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23º Sentidor – Am_Par_Sis

Sentidor é um projeto do produtor mineiro João Carvalho, que lançou este ano, o álbum Am_Par_Sis. O título do disco é um anagrama do álbum Passarim, de Tom Jobim, lançado em 1987. O álbum clássico serviu como material de base para o produtor, que usou as partes instrumentais, os vocais e samples, fundidos com elementos da música ambiental e sonoridades que remetem à bossa nova e o funk carioca. Segundo o próprio produtor, Am_Par_Sis é uma provocação política,  utilizando o legado de Jobim para criar uma visão hipnótica de um Rio pós-guerra.

22º Lucas Santtana – Modo Avião

Modo Avião é o sétimo disco do cantor, compositor e multi-instrumentista Lucas Santtana. O novo trabalho serve como um audiofilme, onde além das canções, é apresentado a história de um personagem, que durante a obra apresenta suas ansiedades e questões existenciais. Com uma sonoridade eletrônica e minimalista, o álbum sugere também, o processo de se desconectar das tecnologias, a fim de contemplar as coisas ao redor. Modo Avião, foi gravado com áudio binaural, captação que traz uma imersão maior para o ouvinte.

21º Criolo – Espiral de Ilusão

Criolo sempre flertou com o samba em seus trabalhos, e em seu novo disco, o cantor mergulhou de vez no gênero. Com 10 faixas, o álbum resgata a sonoridade de sambas clássicos como os de Cartola e Adoniran Barbosa, deixando de lado a contemporaneidade presente em seus discos anteriores. Produzido por Daniel Ganjaman e Marcelo Cabral, Espiral de Ilusão, traz composições que retratam as desilusões e decepções, tema não explorado anteriormente pelo músico. Apesar da abordagem diferente, o cantor mantém seu tom político.

20º Linn da Quebrada – Pajubá

Com o título se referindo ao vocabulário LGBT, Pajubá traz uma visão nua e crua da realidade da comunidade trans. Com 14 faixas, Linn da Quebrada traz em seu primeiro disco, uma linguagem explícita, composições diretas e com diversas referências, neologismos e jogo de palavras, para retratar a violência e a discriminação sofrida por transgêneros no Brasil. O disco faz diversas críticas, dando voz para outros grupos que são marginalizados nas periferias brasileiras. Pajubá, é uma obra de manifesto necessária, visto o avanço do conservadorismo no país.

19º Xênia França – Xênia

Referência de empoderamento, Xênia França, traz à tona questões como a Bahia, a existência, a beleza e o poder da mulher negra, em seu primeiro álbum solo. O trabalho também traz novos elementos à sonoridade da artista, como o pop e o jazz, mesclando com ritmos percussivos. França também, utiliza referências da música eletrônica para retratar questões relacionadas à apropriação cultural e para reverenciar a cultura negra. O disco quase homônimo, coloca a mulher no centro do debate, as chamando para questionar a autoaceitação e a afirmação de sua identidade.

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18º Letrux – Letrux em Noite de Climão

Em seu primeiro disco solo, a escritora, atriz e cantora Letícia Novaes apresenta, uma estética diferente dos álbuns lançados à frente do grupo Letuce. Produzido por Letrux em parceria com Arthur Brangati e Natália Carreira, Em Noite de Climão carrega uma sonoridade dançante e noturna. Com 11 faixas, o disco ambientado na década de 80, utiliza arranjos de guitarras e sintetizadores, contrastando com as composições contagiantes que abordam, em sua maioria, questões pessoais, entoadas sempre com bom humor.

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17º In Venus – Ruína

Em uma obra urgente e contemporânea, In Venus, traz canções com referências do experimentalismo e dream pop, sem perder a essência do punk característico da banda paulista. Com composições em português e inglês, Ruína, fala de dor e libertação, abordando também questões políticas e feministas, de forma direta e crua, mas com muita maturidade. Além disso, as 9 faixas, que compõem o disco, carregam um certo tom melancólico, utilizando várias camadas de sintetizadores, ecos e texturas, para evidenciar a visceralidade do trabalho.

16º Bel – Quando Brinca

Quando Brinca é o álbum de estreia da cantora, compositora, escritora, produtora cultural e artista visual Bel Baroni. Com diversas participações especiais e produzido pela própria artista em parceria com Gui Marques, Quando Brinca traz composições e arranjos minimalistas, utilizando elementos da música eletrônica como recortes, beats e sintetizadores, mesclando com sonoridades da música popular brasileira e o jazz. Em um registro curto com 8 faixas, Bel tem como objetivo, retratar e evidenciar a mulher contemporânea.

15º Nana – CMG-NGM-PDE

Nana escolheu para o título do disco, o nome de uma planta conhecida como Comigo-Ninguém-Pode, que tem a fama de proteger do mau olhado e de trazer boas energias, o que reflete muito no conceito do álbum. Em CMG-NGM-PDE, a sonoridade confiante e firme tem seu lugar. No novo trabalho, a artista mostra como está mais forte e independente, tanto como compositora, quanto sonoramente. Isso não impede de que canções ingênuas e melancólicas, apareçam. A artista também traz elementos da música brasileira, tanto na sonoridade quanto nas referências.

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14º Bike – Em Busca da Viagem Eterna

A banda Bike, uns dos nomes mais interessantes da nova safra da psicodelia brasileira, traz no segundo disco, canções mais maduras, apresentando composições construídas com base nas experiências adquiridas durante as turnês. A banda apresenta 9 faixas, onde o ouvinte é transportando a uma atmosfera lisérgica, com novas experimentações e texturas, e os vocais em maior evidência. Em Busca da Viagem Eterna, entrega uma sonoridade mais pop do que o álbum anterior, mas ainda com os pés na psicodelia.

13º Djonga – Heresia

Um dos nomes mais interessantes do rap brasileiro atual e integrante do grupo DV Tribo e do Coletivo GE, Djonga lançou este ano seu primeiro álbum. O disco traz composições que abordam diversas questões sociais, sempre de forma ácida. A maneira original e enérgica do rapper ao entoar seus versos, contrasta com a atmosfera das rimas, o que torna o trabalho ainda mais visceral. Com 10 faixas, o rapper belo-horizontino, utiliza em sua obra punchlines, metáforas e referências culturais, para enaltecer a periferia de forma irreverente e realista.

12º Giovani Cidreira – Japanese Food

Em uma obra que discorre por uma linha do tempo, o cantor e compositor Giovani Cidreira, traz experimentações sonoras influenciadas por movimentos setentistas, como o Clube da Esquina, e o rock brasileiro dos anos 80 de Legião Urbana. As 12 faixas que compõem Japanese Food, abordam essencialmente questões existenciais, e as vivências do artista nos últimos anos. Com uma sonoridade complexa e harmonias propositalmente desconexas, o multi-instrumentista, traz um trabalho que demonstra sua versatilidade.

11º Chico Buarque – Caravanas

Sete das nove faixas que compõem o vigésimo terceiro disco do cantor Chico Buarque são inéditas (as outras duas foram escritas pelo músico, mas gravadas por outros artistas). Em Caravanas, Chico aborda diversos temas como racismo, lesbianidade e até sobre Havana, capital de Cuba. Com a participação de Rafael Mike (Dream Team do Passinho), Chico Buarque traz um frescor para sua obra, mostrando que pode se reinventar, e mesmo assim trazer a sua visão lírica de sempre. Clara Buarque e Chico Brown também fazem parte do disco.

10º Boogarins – Lá Vem a Morte

Em um trabalho ligeiramente curto, com 8 faixas e com quase meia-hora de duração, Boogarins se distancia das sonoridades exploradas em trabalhos anteriores, trazendo o som psicodélico da banda goiana mais próximo do pop. As composições introspectivas e, em alguns momentos, pessimistas, servem de crítica à superficialidade, e a efemeridade das relações interpessoais nos tempos atuais. As faixas são embaladas por vozes ecoadas, recortes e experimentações eletrônicas desconstruídas, o que reforça a atmosfera proposta.

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9º Kiko Dinucci – Cortes Curtos

Kiko Dinucci, conhecido por integrar vários projetos paralelos, lançou este ano seu primeiro álbum solo. O trabalho estava na gaveta desde 2011 e segundo Kiko, “sempre aparecia um outro projeto e atropelava esse”. O samba sujo, característica de Kiko em registros como A Mulher do Fim do Mundo (2015), é evidente no disco solo. Além disso, o álbum conceitual, serve de trilha sonora para a cidade de São Paulo. Com faixas, curtas e diretas, Dinucci conta histórias do mundo urbano misturando o samba com o punk, em sons de guitarra distorcidos.

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8º Emicida + Rael + Capicua & Valete – Língua Franca

Emicida se juntou com Rael e com os portugueses Capicua e Valete para lançar o disco Língua Franca. O título do álbum vem tanto da franqueza do rap e como ele se tornou a voz da periferia, quanto a língua que um grupo adota para que todos consigam se comunicar. O projeto, foi pensado a partir de um questionamento da falta de conexão da cena rap de países lusófonos. Com ritmos que misturam o hip-hop com música afro-brasileira, funk, soul e música eletrônica, os rappers abordam em suas rimas, os problemas sociais que atingem tanto o Brasil quanto Portugal.

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7º Luiza Lian – Oyá

A cantora e compositora Luiza Lian, traz uma abordagem imprevisível para o seu segundo disco. Conceitual, o álbum tem Oyá, divindade africana que representa as tempestades e a ventania, como protagonista. O trabalho com 8 faixas e um pouco mais de 25 minutos, contempla também um média metragem e um site. Em composições minimalistas, a artista traz elementos sonoros que criam uma atmosfera sombria próxima do experimental, com influências de ritmos africanos e referências do funk carioca, trip-hop e do vaporwave.

6º Baco Exú do Blues – Esú

Depois do sucesso da canção Sulicídio, Diogo Moncorvo, mais conhecido por Baco Exu do Blues, lança seu primeiro álbum. Com 10 faixas, o trabalho que foi produzido por TAS e beats criado por Nansy Silvvs, conta também com a participação de KL Jay, do Racionais. O disco segue um conceito, onde cada canção retrata o personagem em diversos momentos, ora difíceis, ora de glória. Rico em referências musicais, o rapper soteropolitano usa elementos da música nordestina e africana, como o batuque do Maracatu e do Candomblé.

5º Maglore – Todas as Bandeiras

Maglore, com nova formação desde o começo do ano, lançou o quarto disco intitulado Todas as Bandeiras. No novo trabalho, a banda retrata os problemas da civilização atual em diferentes abordagens, mas todas em uma atmosfera otimista. O disco também faz profundas reflexões cercadas por um certo tom de esperança. Mesmo em canções mais tristes, a banda consegue manter o ritmo e a brasilidade da obra. Concluindo, Todas as Bandeiras, é um disco coeso, e mostra o quanto a banda está empenhada em se renovar a cada trabalho.

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4º Rincon Sapiência – Galanga Livre

Nome conhecido na cena do hip-hop brasileiro há muitos anos, Rincon Sapiência lançou este ano seu primeiro álbum, Galanga Livre. O título do disco, se refere ao monarca africano Chico Rei, que foi escravizado no Brasil e conseguiu comprar a sua liberdade e a de vários conterrâneos. Na obra conceitual, o rapper apresenta rimas sólidas, que trazem uma visão realista do povo negro na sociedade brasileira. Além disso, as referências também são encontradas nos arranjos, mais orgânicos e fortemente influenciados pelo funk, samba, soul e o afrobeat.

3º Tim Bernardes – Recomeçar

Tim Bernardes, vocalista da banda paulistana O Terno, sempre teve uma grande capacidade de materializar sentimentos e experiências em uma canção. Em Recomeçar, seu primeiro álbum solo e totalmente autoral, o artista transporta o ouvinte a uma atmosfera melancólica, onde é retratado suas confusões e desilusões sentimentais. Produzido pelo próprio cantor, as 13 faixas que compõem o disco, são embaladas por ritmos acústicos, que mesclam elementos do folk e da música popular brasileira, reforçando a introspectividade da obra.

2º Curumin – Boca

Após 5 anos de hiato, Curumin lançou seu novo trabalho intitulado Boca. O quarto álbum foi produzido pelo cantor em parceria com Zé Nigro e Lucas Martins. No novo trabalho Curumin, não fica em sua zona de conforto. O músico explora em suas canções, elementos da música eletrônica, mesclando-os com ritmos orgânicos, tornando o trabalho próximo do experimental. Além disso, o artista aborda diversos temas, como os privilégios em uma sociedade patriarcal e o retrato da política brasileira atual. Em Boca, o ouvinte é levado para um lugar fora do óbvio.

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1º Mallu Magalhães – Vem

Mallu Magalhães, começou sua carreira aos 15 anos, depois de ter viralizado no MySpace. De lá pra cá muita coisa mudou. Com quase uma década de carreira, a cantora de apenas 24 anos acumula muita experiência, seja na carreira solo, ou em projetos paralelos. Vem, é um trabalho mais ousado do que os antecessores em relação à interpretação e composição. Além disso, a voz da cantora paulista, amadureceu. Com timbres afinados, acompanhados por uma sonoridade solar, inspirada pela bossa nova e o samba, Vem tem alma brasileira.

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