A tensão e a sutileza de “Tônus”, novo disco da Carne Doce

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Tônus - Carne Doce
4.8
Em Tônus, o grupo se mostra mais maduro, trazendo arranjos mais robustos e bem construídos, com bases de baixo em evidência. Além disso, no terceiro disco, as composições acompanhadas pela voz grave incomum e vulnerável de Salma Jô, transportam a obra para uma atmosfera obscura e melancólica, abordando temas desta vez não somente femininos, de forma sensual, mas também sutil e abstrata.

Nos últimos anos, a banda goiana Carne Doce, liderada por Salma Jô e Macloys Aquino e formada também pelos músicos João Victor Santana, Ricardo Machado e Anderson Maia, rodaram boa parte do país em vários festivais brasileiros de destaque como Vaca Amarela, Bananada, e Coquetel Molotov. Mas foi há dois anos, com o lançamento de Princesa, o 5º melhor álbum de 2016, que a banda se firmou de vez na cena independente brasileira.  Dois anos depois, a banda retorna com um novo material. Com Tônus, o grupo se distancia do “amadorismo” dos trabalhos anteriores e se mostra maduro, trazendo arranjos mais robustos e bem construídos.

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A vulnerabilidade pode ser observada logo na primeira faixa. Comida Amarga, traz uma prévia da abordagem do novo trabalho. Carregada por um tom obscuro e melancólico, a canção retrata o desconforto de viver em um relacionamento frustado (Já não sou mais gostosa/Você goza triste em mim/Eu cato as sobras/Dos teus sinais/Eu sou a sobra/Junto com as sobras/Eu não sou mais). A vulnerabilidade da obra também se afirma em Irmãs, uma das mais sensíveis do disco.

Ao longo das 10 faixas, Salma Jô acompanhada por suas composições poéticas, explora tons mais graves dos que costumamos ouvir em suas canções, trazendo sutileza à obra. É o caso da canção Amor Distrai (Durin), que apesar da letra extremamente direta e explícita (Hoje eu só quero dar/E não fazer amor/[…]Porque eu só gozo assim/Em alto e bom som), é neutralizada pela forma que ela é entoada. Além disso, com bases de baixo em evidência, Tônus parece se inspirar muito no rock oitentista brasileiro, carregando um tom nostálgico evidente principalmente nos arranjos da faixa que leva o título do disco.

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Com temas agora não somente femininos, como vimos em Princesa, o novo trabalho caminha em uma linha tênue entre a sutileza e a tensão, com uma abordagem sensual, mas também sutil e abstrata. Concluindo, com a maturidade em que Carne Doce, apresenta em seu terceiro disco, é possível afirmar que a banda hoje é um dos melhores nomes da cena independente brasileira contemporânea.

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